CORAÇÃO E CAFÉ: PESQUISA DA EMBRAPA

Receita 1:

Embrapa realiza pesquisas sobre café e coração
Publicação: 27/04/2006
Dizer que o café faz bem ou mal ao coração deixará de ser uma hipótese polêmica. Nesta quarta, dia 26, foi assinado um contrato de cooperação técnica e financeira entre a Embrapa e a Fundação Zerbini, que coordena a área de pesquisas e desenvolvimento junto ao Instituto do Coração (INCOR).

A parceria visa avaliar os efeitos do café especificamente sobre as doenças do coração, podendo-se confirmar os efeitos benéficos das substâncias presentes na bebida. A relação entre café e saúde já vem  sendo foco de estudo no âmbito do Consórcio Brasileiro de Pesquisa Desenvolvimento do Café CBP&DCafé, administrado pela Embrapa Café.

Agora, pela primeira vez, as pesquisas voltadas para as doenças coronarianas serão realizadas no Brasil, maior produtor de café e segundo maior consumidor da bebida no mundo. De acordo com o gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Ferreira Bartholo, os estudos ajudarão a desmistificar a imagem de que o café faz mal a saúde, refletindo no aumento do consumo do produto.

– Com uma amplitude maior do que o foco agronômico, os resultados deverão despertar a atenção da classe médica e da população para os benefícios do café.

Um dos pesquisadores do Consórcio e idealizador do Projeto Café e Coração, médico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que estuda os efeitos do café há mais de 20 anos, Darcy Roberto Lima, é enfático.

– Os médicos deverão recomendar o café ao invés de condená-lo – avalia o especialista.

Para ele, a parceria vem aliar a maior instituição de pesquisa agropecuária com a maior instituição de pesquisa do coração, cujos resultados deverão não só fortalecer o agronegócio café, como ajudar a salvar vidas.

Para o superintentende de pesquisa da Fundação Zerbini, Ruderico de Moraes, os resultados de estudos internacionais sobre os benefícios do café na prevenção de doenças do coração são animadores. O Projeto Café e Coração foi aprovado pelo comitê da Federação Mundial de Cardiologia e inclui o estudo dos efeitos do café em três grupos distintos: voluntários normais, doentes coronarianos e diabéticos. Eles deverão tomar o café em diferentes doses e modos de preparo e serão avaliados principalmente durante a realização de esforço físico.

De acordo com o coordenador do programa Café e Coração, o cardiologista do INCOR e professor de Medicina da Universidade de São Paulo, Luiz Antônio Machado César, a pesquisa deverá priorizar os efeitos imediatos do café, com a verificação das substâncias presentes na bebida em análises sanguíneas. Ele acredita que o malefício da cafeína, apenas uma das substâncias do café, pode advir do excesso, mas não do hábito moderado de tomar o tradicional cafezinho.
EMBRAPA