Síndrome do ovário policístico [SOP]-hirsutismo,

Síndrome do ovário policístico [SOP] – hirsutismo,

Plantas Relacionadas na Literatura : Hortelã (mentha).

Sintomas e Causas : Síndrome do Ovário Policístico e menstruação alterada-
23/08/2005
A síndrome do ovário policístico é uma das desordens endocrinológicas mais comuns afetando aproximadamente 6% da população feminina em idade reprodutiva. É a causa mais comum de infertilidade involutória (sem ovulação) sem, no entanto se saber a causa ou o defeito de base. É uma síndrome importante por acometer um grande número de mulheres em plena idade fértil. Novas descobertas e conhecimentos sobre a desordem, sua relação com outras alterações endócrinas e com repercussões cardiovasculares têm sido feitas.
Um estudo de revisão foi feito pelos Drs. Melissa H. Hunter e James J. Sterrett, ambos da Universidade de Medicina da Carolina do Sul – Charleston, EUA.
Nesse estudo são apresentados os diversos aspectos dessa desordem, bem como seus sintomas e as alterações no organismo, seu diagnóstico, seu tratamento e suas complicações. Um resumo desse estudo foi publicado na revista médica American Family Physician deste ano.
O Que é Síndrome do Ovário Policístico (SOP)?
A SOP é um distúrbio que se manifesta de diversas formas. A presença de amenorréia (ausência de menstruação por mais de três ciclos ou seis meses), de hirsutismo (aparecimentos de pêlos mais grossos em locais dependentes da ação de andrógenos como o tórax, o queixo, entre o nariz e o lábio superior, o abdome inferior e as coxas) e o aumento dos ovários ocorrem somente nos casos avançados. As mulheres afetadas têm sintomas de aumento de andrógenos (hormônios masculinizantes), irregularidades menstruais e amenorreia. A síndrome se inicia na puberdade e é progressiva.
O desenvolvimento de técnicas mais apuradas de ultra-sonografia tem possibilitado maior detalhamento do aumento dos ovários. Há vários estudos sendo conduzidos sobre as alterações endócrino-metabólicas relacionadas com a síndrome e, no momento, o tratamento visa a diminuição das complicações futuras relacionadas com a anovulação(ausência de ovulação) e com a exposição às alterações hormonais.
Qual é a sua Causa?
O mecanismo preciso ainda não é conhecido. No entanto, já é sabido que há um aumento na produção de insulina devido a uma diminuição de sua ação nas células do organismo. Esse aumento leva a uma maior produção de andrógenos (hormônios masculinizantes) pelos ovários. Além disso, há uma disfunção no equilíbrio de dois hormônios da hipófise responsáveis pelo controle dos ovários: LH X FSH.(LH-hormônio luteinizante e FSH-hormônio folículo estimulante)
Seus Sintomas e Sinais Físicos
A anovulação, obesidade, hirsutismo e presença de múltiplos cistos pequenos em ambos ovários são os sinais clássicos. No entanto, um amplo espectro de alterações clínicas e laboratoriais também faz parte do quadro. O instituto nacional de saúde norte-americano definiu que o aumento de andrógenos e a anovulação são duas características capazes de levar ao diagnóstico. É importante, no entanto, que se descarte outras causas como tumores secretores de andrógeno, doenças da glândula supra-renal e aumento da produção de prolactina (hormônio produzido pela hipófise).
Os sintomas mais comumente queixados pelas mulheres são: irregularidades menstruais, infertilidade, obesidade e sintomas relacionados com aumento de androgênios – hirsutismo e acne. A maioria das mulheres tem a primeira menstruação numa idade normal, mas iniciam com ciclos irregulares que gradualmente se tornam mais irregulares, geralmente levando a amenorreia.
Recentemente tem sido mostrado a associação da SOP à resistência periférica à ação da insulina o que pode levar à intolerância à glicose e ao diabetes mellitus tipo 2.
Quais são as Possíveis Complicações da SOP?
A SOP não tratada tem progressão até a menopausa, quando devido à falência ovariana, cessa a produção de estrógenos e andrógenos. Estudos em andamento têm relacionado a SOP com um maior risco de doenças cardiovasculares o que fica reforçado devido às alterações de gorduras (colesterol total e frações e triglicérides) corporais também presentes na SOP.
As outras complicações estão relacionadas com as alterações resultantes da anovulação: infertilidade, irregularidades menstruais variando de amenorreia a hemorragias uterinas, hirsutismo e acne. Mais importante ainda é a exposição do endométrio (revestimento interno uterino) contínua ao estrogênio, sem a presença da ação da progesterona contrabalançando-o, por encontra-se ausente devido às alterações hipófise – ovarianas. Essa exposição contínua pode propiciar o aparecimento de câncer de endométrio cujo risco é três vezes maior em mulheres com SOP. Além disso, há estudos sugerindo que a anovulação crônica durante a idade fértil, está relacionada com maior risco de câncer de mama após a menopausa.
Outras Causas de Anovulação na Idade Reprodutiva

Atividades físicas extenuantes
Falência ovariana precoce
Tumor benigno hipofisário produtor de prolactina
Drogas com ação progestínica
Hiper ou hipotireoidismo
Desordens alimentares
Hiperplasia congênita da supra-renal
Tumores virilizantes da supra-renal
Tumores de ovário
Exames Laboratoriais
Vários exames devem ser solicitados para a avaliação do padrão hormonal e a forma dos ovários. Inicialmente, deve-se fazer um teste de gravidez, que necessita ser descartada em qualquer mulher em idade fértil que esteja sem menstruar. Deve-se solicitar uma ultra-sonografia para avaliar os ovários que, em caso de SOP, demonstrarão pelo menos oito imagens periféricas com menos de 10 mm de diâmetro. O nível sangüíneo de vários hormônios pode ser avaliado: testosterona, androstenediona, LH, FSH, estradiol, estrona, prolactina, insulina em jejum além de glicose em jejum. Outros exames poderão ser necessários para excluir as outras causas mencionadas acima. Um exame de colesterol total e frações também deve ser realizado para avaliar do padrão lipídico e a necessidade de se tomar medidas modificadoras. A pressão arterial deve ser medida anualmente para se descobrir precocemente uma hipertensão arterial.
Tratamento
O tratamento é direcionado aos sintomas por não se saber, ao certo, a causa da SOP. O objetivo é a manutenção de um endométrio normal, a antagonização da ação dos androgênios nos tecidos alvos, a diminuição da resistência à insulina e a correção da anovulação. O desejo de fertilidade é importante e está relacionado com um tratamento diferente.
Modificação Comportamental
Diminuição de peso, dieta e exercícios. São muito importantes mesmo quando juntos ao tratamento medicamentoso. A diminuição de peso diminui os níveis de testosterona, de insulina e de LH.
Medicamentos
Para mulheres que não querem engravidar, pode-se usar drogas com ação progestínica, por 10 a 14 dias por mês, para contrabalançar a ação estrogênica no endométrio. Não há supressão de produção de andrógenos (Medroxyprogesterona ou Noretindrona).
Outra opção para essas pacientes é a pílula anticoncepcional de doses baixas. As vantagens dessa terapia são: contracepção, prevenção de crescimento e câncer endometrial, normalização dos ciclos menstruais e tratamento da acne e hirsutismo (melhora seis meses após uso). Drogas antiandrogênicas podem ser associadas para o tratamento do hirsutismo com maior rapidez (Espironolactona, etc).
Drogas análogas aos hormônios liberadores de gonadotropinas devem ser usadas em pacientes que não respondem ao tratamento acima. Cuidado com seus efeitos colaterais ósseos e vaginais.
Para as pacientes que desejam engravidar, deve-se utilizar indutores de ovulação (Citrato de Clomifeno). Tais mulheres devem procurar um serviço especializado em infertilidade.
Uma nova forma de tratamento tem sido o uso de Metformina, uma droga que aumenta a sensibilidade da insulina, utilizada no tratamento da diabetes mellitus tipo 2. Estudos preliminares demonstraram um retorno à atividade menstrual em 68% a 98% das mulheres com SOP que utilizaram-na. Não é o tratamento padrão, mas pode ser uma possibilidade real futura.
Em fim, a importância da descoberta dessa desordem por uma mulher não tem como ser mais enfatizada. O seu controle influi drasticamente em toda a saúde feminina, desde suas raízes sexuais mais profundas, sua fisionomia e imagem corpórea e também na prevenção de doenças sérias que possam vir a aparecer.
Palavras-Chaves: amenorreia, hirsutismo, andrógenos, anovulação, obesidade, infertilidade, irregularidade menstrual, endométrio, etc.
Am Fam Physician 2000;62:1079-88,1090.
IMPORTANTE
Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios.
As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos.

Tratamentos Fitoterápicos Propostos

Tratamentos Propostos : Para o hirsutismo podemos utilizar Hortelã (mentha).

Cientistas da Universidade Suleyman Demirel, na Turquia, descobriram que a planta pode ser uma alternativa natural para medicamentos que corrigem desequilíbrios hormonais. Para homens, o chá não é recomendado pelos pesquisadores turcos, porque, aparentemente, contribui para reduzir a libido. Cientistas turcos garantem que tomar chá de hortelã duas vezes ao dia reduz os níveis de hormônio sexual masculino no corpo da mulher e, conseqüentemente, impede o crescimento excessivo de pelos escuros e grossos na barriga, seios e rosto – fenômeno chamado hirsutismo. A constatação é resultado de um estudo que fizeram na Universidade Suleyman Demirel, na Turquia, e está detalhado na edição mais recente da revista especializada Phytotherapy Research.
O hirsutismo geralmente é ligado a desequilíbrios hormonais e é comum entre mulheres que têm a síndrome do ovário policístico. A condição é normalmente tratada com drogas que reduzem os níveis do hormônio andrógeno, ou masculino, no corpo da mulher. Os cientistas turcos dizem que a hortelã pode ser uma alternativa boa e natural. Toda mulher produz uma quantidade pequena de hormônios masculinos, entre eles a testosterona. Quando há disfunção e a produção é acima do que se considera normal, os pelos do corpo se tornam mais espessos e visíveis. Os pesquisadores envolvidos no trabalho partiram de um fato noticiado na imprensa: o consumo da hortelã fora associado a uma redução na libido de homens em uma cidade chamada Isparta, da região Sudeste da Turquia. Para estudar os efeitos da planta em mulheres, 21 voluntárias com hirsutismo, 12 sofrendo da síndrome do ovário policístico, tomaram dois copos de chá de hortelã por dia durante cinco dias. Cada copo foi preparado com 250ml de água fervente e 5 gramas de folhas secas. A infusão foi bebida entre cinco e 10 minutos após o preparo. Os pesquisadores verificaram uma diminuição significativa nos níveis de testosterona ativa no sangue e o aumento em vários hormônios femininos. Entretanto, não houve diminuição nos níveis gerais de testosterona, uma indicação de que o hormônio estava acoplado a proteínas na corrente sanguínea e inativo. Para os cientistas turcos, é possível que a hortelã tenha a propriedade de afetar o metabolismo de hormônios como a testosterona ou influir diretamente na síntese de hormônios andrógenos.
A coordenadora do estudo, Mehmet Numan Tamer, disse que é preciso fazer mais pesquisas sobre o assunto. “Esse estudo mostra que a hortelã pode ser uma alternativa boa e natural para mulheres com sintomas leves”, disse ela. “Agora precisamos aprofundar as pesquisas, para testar a confiabilidade dessa descoberta, e para ver até que ponto a redução nos andrógenos ajuda mulheres com hirsutismo leve.” Comentando a pesquisa, Richard Sharpe, da unidade de Human Reproductive Sciences do Medical Research Council, em Edimburgo, disse que o estudo é mais uma indicação de que plantas podem ter efeito em hormônios humanos. Ele recomendou às mulheres que sofrem de hirsutismo ou da síndrome do ovário policístico, no entanto, a primeiro procurar a medicina tradicional para tratamento.
“A mudança (produzida pela hortelã) é relativamente modesta e os pesquisadores não mostraram no estudo se haveria qualquer conseqüência para as mulheres”, alertou Sharpe. “Para muitos compostos derivados de plantas, é difícil usar esse tipo de observação genérica para estudar os mecanismos e descobrir qual é o composto ativo”.
Fonte: ESTADO DE MINAS